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6 de agosto de 2010

MARCAS



Há alguns anos, fui coordenar um retiro no interior e a primeira palestra era sobre o Amor de Deus. Os participantes eram todos jovens. Depois da oração inicial, comecei a falar do Amor e sentia um incômodo nas pessoas enquanto eu falava.

Tinha a certeza que não estava agradando! Uma situação complicada. Mudei a forma de falar, fiz “palhaçada” pra descontrair e nada. Até que pedi para eles partilharem de dois em dois (sempre uma boa tática!) e, quase desesperadamente, clamei o Espírito Santo. E como Ele sempre me socorre, Ele inspirou que eu fizesse uma pergunta simples aos jovens, e eu obedeci.

Perguntei: Quem aqui acredita no Amor? Quem aqui acredita no que eu estou falando?

Para o meu espanto, ninguém levantou a mão. Aí eu brinquei, disse que eles não precisavam ter vergonha, que podiam levantar os braços e lancei a pergunta novamente. Sabe o que aconteceu? Ninguém levantou a mão, ninguém se pronunciou.

Claro que eu perguntei a eles o porquê e, descobri no decorrer do retiro, quando fui acompanhar um a um para saber o que estava acontecendo, que aquela cidade era um “point” de prostituição e como era uma cidade muito pobre, se prostituir era quase que o único meio de sobrevivência para alguns. E toda essa situação tinha destruído a noção de amor na cabeça e no coração daqueles jovens, a maioria deles, fruto de relações “comerciais".

Eram jovens sem família, sem pai, sem mãe. Muitos alcoólatras. Vi naqueles jovens marcas tão profundas de dor, de desamor, que fiquei profundamente mexida. Eram jovens “vividos” demais e feridos demais. Vi claramente que o que fere nosso corpo, alcança nossa alma. As marcas deles não eram as minhas, mas a dor deles, a partir daquele momento, passou a ser minha também. E a única diferença entre nós era o fato de eu ter, por pura graça, recebido amor, e eles não. De eu ter conhecido o Amor, e eles ainda não. Só isso.

Acredito que se o pecado nos marca, mas mais profundamente ainda pode nos marcar o Amor. Não há nada sujo que o amor não limpe. Há marcas que não somem, mas podem ser curadas e se tornarem marcas transfiguradas, testemunhas da Ressurreição. Passei o resto do retiro só tentando amar. Joguei os “resumos” das pregações e deixei que Deus nos mergulhasse no Amor dele, único caminho de verdadeira cura.

E nesse retiro eu entendi que em um mundo que imprime dor, somos chamados a ser profundas marcas do Amor.

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